14:30 H : 5ª comunicação

Nuno Grancho

IHA-FLUL

NOTA BIOGRÁFICA

Doutorado e investigador em História da Arte no IHA-FLUL, é autor de inúmeros estudos no âmbito do património da cidade Elvas, incidindo com especial relevância em torno da desamortização e da Lei da Separação do Estado da Igreja. É mestre em Arte, Património e Teoria do Restauro, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, com o tema a Extinção dos conventos na antiga diocese elvense: o exemplo histórico-artístico de São Domingos de Elvas (2011).

Tendo participado em diversos projectos de inventariação, nomeadamente para a Fundação Passos Canavarro em 2005 e, para a Fundação Calouste Gulbenkian nos anos de 2006 e 2007, respectivamente. É autor de diversos estudos no âmbito do património religioso da dita cidade. Investigador do ARTIS/ FLU, encontra-se presentemente, a desenvolver um projecto de doutoramento na mesma instituição, consignado ao estudo da Ourivesaria religiosa espanhola no Portugal dos Filipes.

SINOPSE

No âmbito da Conferencia Internacional a realizar no Forte da Graça em Elvas, em torno da sustentabilidade do turismo militar, o meu contributo centra-se no aprofundamento de três linhas orientadoras, que julgo serem necessárias para uma discussão da problemática em análise.

A questão geográfica parece impor-se forçosamente num território onde as suas linhas de fronteiras, marítimas e terrestres, comportam uma diversidade que vai desde das fortificações medievais às setecentistas, como comprova o inúmero e diversificado património edificado, que percorre Portugal continental de um extremo ao outro. A linha de fronteira terrestre é no contexto da paisagem fortificada um exemplo com características históricas e arquitectónicas específicas, que se afirmou também na sua relação directa com Espanha, devendo permanecer essa coexistência, numa lógica de estratégia turística, que tenha em consideração um projecto transfronteiriço.

Nesse contexto, a cidade de Elvas sobressai pelo carácter extraordinário do seu conjunto fortificado, que se integra numa mais vasta paisagem alentejana, onde o número de fortalezas foi o garante de estabilidade politica. Nessa posição cimeira impõe-se-lhe, a reconversão em espaço atractivo na captação de novos públicos.

A paisagem fortificada ao constituir-se uma alternativa aos recorrentes destinos turísticos, viabilizará a sua própria rentabilização. Esse acréscimo exponencial de visitantes deverá ser acompanhado criteriosamente, evitando que essa eventual massificação determine a expulsão forçada dos habitantes da cidade, mas antes estimulando à coexistência entre estes e os turistas, numa perspectiva saudável de um equilíbrio onde a preservação da identidade local não seja secundarizada.