16:30 H : 8ª comunicação

João Luís J. Fernandes

Universidade de Coimbra

NOTA BIOGRÁFICA

Doutorado em Geografia pela Universidade de Coimbra, é investigador do Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Territórios (CEGOT), sedeado nas universidades de Coimbra, Porto e Minho. Com interesses nas áreas da Geografia Social e Cultural, tem desenvolvido investigação no domínio das paisagens culturais, das suas dinâmicas e estruturações, em especial na forma como são representadas e, ao mesmo tempo, territorializam os conteúdos de múltiplas indústrias criativas, como o cinema. É também a partir destas novas paisagens e sua relação com as indústrias criativas que se tem preocupado com a construção da imagem dos lugares e sua afirmação num marketing territorial integrado em processos de planeamento estratégico. Professor Auxiliar do Departamento de Geografia da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, desde 2005. Defendeu, em 2005, a tese de Doutoramento Território, desenvolvimento e áreas protegidas – a Rede Nacional de Áreas Protegidas e o caso do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros. Defendeu, em 1996, a tese de Mestrado O Homem, o Espaço e o Tempo no Maciço Calcário Estremenho- o olhar de um geógrafo, no Instituto de Estudos Geográficos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Licenciatura em Geografia, concluída em 1990, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

SINOPSE

Não existem duas cidades iguais. Cada uma apresenta um perfil e uma identidade que varia no espaço e no tempo. As paisagens (culturais) urbanas devem ser entendidas como realidades dinâmicas das quais fazem parte múltiplos elementos em interação permanente. Por um lado, o suporte físico, que deriva dos contextos hidro-geomorfológico, biogeográfico e climático. Por outro, os fatores humanos que respondem a imposições de natureza funcional – a necessidade de abrigo, sustento, circulação ou trocas, por exemplo. Por último, elementos que, sendo também de origem antrópica, afirmam valores nas quais a cidade se assume como central, os valores religiosos e políticos, acrescentos (geo) simbólicos que fazem do espaço urbano uma paisagem de representação e um território de afirmação de múltiplos atores. Por isso, muito antes de um objeto turístico e patrimonial, a cidade é também um palco de conflitos político-ideológicos, um espaço contestado objeto de leituras diversificadas resultante de complexas relações de poder. Com tudo isto cruza-se a cidade multissensorial, aquela que deve ser lida e vivida seguindo vetores sensoriais múltiplos, que vão daquilo que se observa ao que se ouve, de uma paisagem estética ocularcêntrica a uma paisagem sonora ou olfativa. Só depois destes pressupostos se pode assumir a cidade como um território turístico. É certo que este encontro de atores e as múltiplas dimensões da geografia urbana fazem desta um território de elevado potencial criativo e de inovação, no qual o turismo deve ser apenas uma das valências e vocações (não a única nem a exclusiva). Nesse sentido, parte substancial desse capital criativo deve ser aplicado na construção de pontes entre os atores, sendo o turista apenas um deles. Essa criatividade, na literatura agora associada ao turismo criativo, terá como vocação a conetividade (vertical e horizontal) de cada cidade a múltiplas escalas geográficas, sendo, por isso, essencial para a inserção proativa de cada lugar a um mundo instável e imprevisível. Essa mesma criatividade deve também responder a um outro objetivo: a (re)construção de comunidades locais coesas e participantes, fundamentais para a valorização dos patrimónios que, de facto, existem e podem mobilizar cada um dos lugares. O contrário de toda esta lógica está nos territórios pósmodernos, como os parques temáticos, nos quais o turista é não um dos atores, mas o ator principal e, quantas vezes, único. Esse outro extremo encontra-se ainda na paisagem urbana patrimonial que segrega e afasta, gentrifica e desreterritorializa residentes que, deste modo, vêm as suas opções geográficas encolher à medida que a (sua?) cidade vai ganhando pontos numa qualquer competição turística global. Por isso, a cidade é, ao mesmo tempo, uma oportunidade criativa mas também um risco. Discutir-se-ão estes temas com o recurso a casos e exemplos concretos, que serão amplamente ilustrados com fotografias e cartografia.